FUTEBOL URUGUAYO:

'' É uma religião nacional. A única que não tem ateu. Somos poucos: 3,5 milhões de uruguayos. É menos gente do que um bairro de São Paulo. É um país minúsculo. Mas todos futebolizados. Temos um dever de gratidão com o futebol. O Uruguay foi colocado no mapa mundial a partir do bicampeonato olímpico de 1924 e 1928, pelo futebol. Ninguém nos conhecia.

O futebol uruguayo é o melhor? Não. No mundo guiado pelas leis do lucro, onde o melhor é quem ganha mais, eu quero ser o pior. Não poderíamos sequer cometer o desagradável pecado da arrogância. Seria ridículo para um país pequeno como o nosso. Não somos importantes, o que é bom. Neste mundo de compra e venda, se você é muito importante vira mercadoria. Está bom assim.

Como explicar Uruguay?.... Somos um pouco inexplicáveis. Aí é que está a graça".

EDUARDO GALEANO - Escritor

sábado

O JOGADOR URUGUAIO DANILO MENEZES FOI JOGADOR DO VASCO DA GAMA



Vasco 1966 – Primeira partida que Valdir o Chiquinho vestiu a camisa cruzmaltina. Em pé: Valdir, Ari, Brito, Alcir, Fontana e Oldair; Agachados: Nado, Paulo Mata, Célio, Danilo Menezes e Zézinho.

Quando decidiu ser jogador de futebol, em 1961, o uruguaio Danilo Menezes, de 59 anos, sabia que sua vida estaria vulnerável às constantes viagens e mudanças próprias da profissão. Estava preparado para morar em qualquer lugar do mundo, acompanhando o contrato de cada clube. O que ele jamais imaginava era que fosse se encantar tanto com uma cidade, em tão pouco tempo, a ponto de fixar moradia definitiva e até receber título de cidadão local.
A sexta matéria da série de reportagens "Por que escolhi Natal" conta a história desse ex-jogador de futebol, que nasceu no Uruguai, morou no Rio de Janeiro (intitulada Cidade Maravilhosa), mas elegeu a capital potiguar como porto seguro e ponto definitivo. Já se vão 31 anos residindo na cidade e não passa pela sua cabeça sair daqui, mesmo com a distância dos familiares, que continuam no Uruguai. "O que me levou a ficar em Natal foram as boas amizades" resume.
Danilo Menezes nasceu na pequena cidade de Rivera no Uruguai. Filho caçula de uma família de oito irmãos, ele foi o único que teve a oportunidade de estudar. Mas entre a escola e a casa, tinha sempre um tempo reservado para as "peladas". Foi assim que emergiu na atividade que lhe rendeu os frutos colhidos até hoje e proporcionou conhecer a cidade e o clube do coração, Natal e ABC, respectivamente.
"Ficava atrás do gol assistindo aos treinos do Oriental, um clube local. Certo dia, quando faltou um dos jogadores, me chamaram e eu fui", lembra Danilo, que na época estava com 16 anos. Do Oriental, logo foi chamado pelo Nacional de Montevidéu, onde jogou até os 20 anos. Enquanto a família continuava em Rivera, o filho caçula ganhava maturidade vivendo sozinho na capital do Uruguai. Em 1963, aconteceu a grande guinada: o convite para jogar no Brasil.

Ele não titubeou e se mudou para o Rio de Janeiro para jogar no Vasco da Gama, onde ficou até 1972. Foi nessa época - ele com 28 anos - que o ABC Futebol Clube, de Natal, contratou vários jogadores do Vasco para disputar o campeonato nacional. "A minha vinda foi meio problemática porque o dirigente achava que eu estava velho e não ia render. Mas acabamos acertando que eu viria e treinaria. Se não desse certo, voltaria", recorda.
No primeiro jogo do campeonato, contra o CRB de Alagoas, Danilo Menezes já estava contratado. Ele disputou o torneio e no final do ano - ao fim do contrato, de férias - voltou para o Rio de Janeiro, onde morava com a família que constituíra no Brasil. No ano seguinte, em 1973, ele foi procurado novamente pelo ABC para disputar o campeonato estadual. Dessa vez, veio com a família e comprou uma casa na avenida Romualdo Galvão.
"Imaginava que ia passar um ano, mas estou aqui até hoje", contou o ex-jogador, que jogou no ABC até os 35 anos (1980). Hoje, já com outra família (a esposa e dois filhos), Danilo Menezes trabalha no setor de cadastro da Secretaria de Esporte e Lazer, além de participar os eventos esportivos da cidade. Ele se diz satisfeito com a opção. "Trocar o Rio de Janeiro por Natal só contribuiu para a minha vida", garante, enfatizando as belezas naturais e o clima da cidade.
Danilo destaca também a hospitalidade de Natal. "É uma cidade que dá oportunidade para o forasteiro se integrar, mesmo que ele não queira." Quando não está envolvido com os eventos esportivos, ele gosta de passar os finais de semana na praia. "Vou muito a Ponta Negra e Cotovelo", disse o ex-jogador, que afirma ter sido valorizado ao chegar na cidade. "Isso eu senti em 1973, quando vim pela segunda vez." Essa valorização foi mais reforçada em 1999, quando recebeu o título de cidadão natalense.

O que mais influenciou na decisão de Danilo Menezes em fixar residência em Natal foi a diferença entre os povos. "O povo daqui é carinhoso e amigo. Não tem a maldade de outros cantos." Ele conta que constituiu uma grande rede de amizades na cidade, o que não conseguiu nos outros locais por estar sempre vivendo o dia-a-dia de atleta, entre jogos e concentrações.
Danilo lembra que sua infância em Rivera foi dividida entre o estudo e os jogos de futebol. "Agradeço aos meus irmãos que me proporcionaram estudo. Mas como entrei muito cedo no futebol, passei a viver a rotina de atleta ainda adolescente", disse ele, recordando da sua primeira mudança, de Rivera para Montevidéu. "Foi uma mudança tão radical que passei três meses para me adaptar."
A proximidade do ídolo com a torcida também contribuiu para a decisão do ex-jogador. Principalmente pelo fato dele ter criado um vínculo forte com a torcida do ABC, clube em que jogou durante todo o tempo que viveu na cidade. Danilo afirma que as maiores amizades conquistadas foram na área esportiva. São com essas pessoas que ele mantém o contato diário até hoje.