FUTEBOL URUGUAYO:

'' É uma religião nacional. A única que não tem ateu. Somos poucos: 3,5 milhões de uruguayos. É menos gente do que um bairro de São Paulo. É um país minúsculo. Mas todos futebolizados. Temos um dever de gratidão com o futebol. O Uruguay foi colocado no mapa mundial a partir do bicampeonato olímpico de 1924 e 1928, pelo futebol. Ninguém nos conhecia.

O futebol uruguayo é o melhor? Não. No mundo guiado pelas leis do lucro, onde o melhor é quem ganha mais, eu quero ser o pior. Não poderíamos sequer cometer o desagradável pecado da arrogância. Seria ridículo para um país pequeno como o nosso. Não somos importantes, o que é bom. Neste mundo de compra e venda, se você é muito importante vira mercadoria. Está bom assim.

Como explicar Uruguay?.... Somos um pouco inexplicáveis. Aí é que está a graça".

EDUARDO GALEANO - Escritor

sábado

JOGADORES URUGUAIOS GOLEADORES: PRIMER Y ÚLTIMO: 1916 - 2011

                                                                                                             
Isabelino Gradín - 1916

AFROURUGUAYOS
Luis Suarez - 2011

LUIS SUAREZ


Isabelino Gradín (Montevidéu, 18971944) foi um futebolista e velocista uruguaio. Negro, nasceu no famoso bairro Palermo da capital uruguaia, que juntamente com o Barrio Sur, abriga grande parte da populacão afro-uruguaia.
Chegou ao Peñarol em 1915, onde se consagrou como um dos primeiros ídolos negros, para muitos o primeiro na história do futebol juntamente com seu companheiro de equipe Juan Delgado. Pelo aurinegro ou manya venceu os campeonatos uruguaios de 1918 e de 1921, na função de extremo direito.
Em 1916, já afamado nas canchas uruguaias, foi chamado para integrar as cores de seu país na primeira edição do Campeonato Sul-Americano de Futebol (atual Copa América), que fazia parte dos festejos do centenário da declaração da independência da Argentina. Nesse torneio ocorreu um fato inusitado: depois da vitória de 4x0 sobre os chilenos, os dirigentes da delegação andina tentaram anular o jogo, alegando que os uruguaios haviam contratado dois atletas africanos (Isabelino Gradín e Juan Delgado) chamados pejorativamente pelos chilenos de atletas do carnaval. A confirmação da nacionalidade uruguaia dos dois valeu um ponto a mais na luta contra o racismo.
Jogou 24 partidas pela Celeste Olímpica entre 1915 e 1927, marcando 10 tentos com a camiseta celeste.
Em 1919, na edição carioca do Campeonato Sul-Americano, Isabelino além de ser destaque em sua equipe que acabou vice-campeã, quebrou o recorde sul-americano dos 800 metros rasos, sendo cognominado de O terror das pistas.
Segundo o jornalista Mario Filho, em seu precioso livro O Negro no futebol brasileiro, no momento em que futebol brasileiro quando começou a dar oportunidade ao ingresso de jogadores negros, a crônica especializada sempre aludia à figura de Gradín: depois do aparecimento do inolvidável ponteiro direito houve uma praga de Gradins no Brasil [carece de fontes]. Prova irrefutável de que a sua arte futebolística transcendeu o pequenino Uruguai, e fez história no gigantesco Brasil.
Apesar da sua importância no futebol, Isabelino Gradín morreu em 1944, pobre e com apenas 47 anos.